DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.19059008

Edimara Alexandrino de Souza Macedo – mestranda do PMPD

Como exemplo, no caso da Eslováquia1, uma deepfake falando sobre fraude eleitoral poucos dias antes das eleições acabou influenciando significativamente o resultado do pleito. No Brasil, de forma similar, o uso das redes sociais e algoritmos disseminou informações falsas sobre a urna eletrônica, com mais ênfase, a partir das eleições de 2018. Em 2022, essa prática se intensificou com o emprego da inteligência artificial para espalhar notícias falsas e enfraquecer ainda mais o processo eleitoral.

Na Eslováquia ocorreu uma grande desconfiança nas mídias e instituições públicas, um cenário que se repetiu no Brasil nas eleições de 2018 e se agravou em 2022.

Os lados extremistas, por exemplo, passaram a confiar exclusivamente em fontes de informação alinhadas com suas próprias ideologias, desconsiderando as mídias oficiais e instituições como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral. Essas instituições foram alvo de uma campanha massiva de desinformação, acusadas de favorecer os adversários e de manipular o processo eleitoral.

A disseminação de informações falsas sobre a segurança da urna eletrônica e a defesa do voto impresso, impulsionadas pelas redes sociais e influenciadores de extrema direita, contribuíram para minar a confiança da população na legitimidade das eleições e nas instituições públicas. O ápice dessa crise de desconfiança foi a invasão aos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, com ameaças à democracia com pedidos de intervenção militar.

Quando políticos estavam espalhando que o sistema eleitoral brasileiro não era seguro e diversos “influencers” espalharam essa informação em seus canais nas redes sociais isso começou a escalonar e as pessoas começaram a ficar desconfiadas e pedir a volta do voto impresso. Sendo que quando existia o voto impresso a quantidade de fraudes eram enormes, hoje o sistema é totalmente auditado e nunca existiram provas que teve fraudes nas urnas eletrônicas. Contudo, espalhar essas notícias falsas acaba enfraquecendo o sistema o sistema eleitoral e com isso a democracia.

Recentemente, mais um caso de atentado contra o Supremo Tribunal Federal ocorreu no dia 13 de novembro de 2024. As ameaças aos integrantes da Suprema Corte do país ocorrem com frequência e cresceram exponencialmente. Esse aumento ocorreu muito em razão do aumento da propagação de fakenews com o uso de inteligência artificial.

É impressionante a quantidade de informações falsas que circulam nas redes sociais e em grupos de Whatsapp e Telegram.

Com uso da inteligência artificial, principalmente com a generativa, as informações falsas estão cada dia mais realistas e enganando uma quantidade enorme de pessoas. Nas redes sociais vários robôs são criados para espalhar notícias falsas e tentando dar alguma credibilidade a esses conteúdos.

As informações falsas circulam de uma forma muito rápida, são repetidas tantas vezes que não se sabe mais a origem e as pessoas começam a acreditar em sua veracidade.

Com a ampla divulgação de notícias falsas com o uso de inteligência artificial generativa e o uso de deepfakes é difícil saber o que de fato é verdade. Ainda mais quando ocorrem por meio de diversos “influencers” e políticos que possuem milhares de seguidores em suas redes sociais. A responsabilidade pela divulgação ou manipulação de notícias falsas por essas pessoas possuem um peso maior e a responsabilização pelos danos causados também deveria ser maior.

Essas pessoas ainda desqualificam as mídias tradicionais e as instituições públicas, hoje muitas pessoas só ficam dentro das suas “bolhas” de informação, com isso perdem a noção da realidade. Os algoritmos influenciam nisso também, pois quando mais você consome um conteúdo, mas desse conteúdo aparece para você.

Com isso, as pessoas ficam cada vez mais em contato apenas com grupos que defendem as mesmas notícias falsas que recebem, gerando uma massa de pessoas defendendo fakenews e que não buscam outras fontes para confirmar essas informações. Isso pode ser visto no excelente documentário chamado “O dilema das Redes Sociais”.

No caso das eleições, as notícias falsas com o uso de inteligência artificial acabam tendo o poder de influenciar nos resultados e isso compromete muito um pleito eleitoral que deve ser mais justo e transparente para o livre convencimento dos eleitores.

Ainda, quando o sistema eleitoral é atacado frequentemente isso acaba enfraquecendo a própria democracia, pois um dos pilares da democracia é a participação popular por meio do voto livre e consciente.

Conclui-se que quando a inteligência artificial é utilizada para manipular os resultados do pleito, há uma interferência direta no processo democrático. Diante desse cenário, torna-se urgente a regulamentação do uso da Inteligência artificial e das redes sociais, especialmente no contexto eleitoral.